Resíduos urbanos ganham novo destino com a biodigestão em São Paulo

Tecnologia transforma matéria orgânica em biogás e biofertilizante e será utilizada pela Loga no futuro Ecoparque Bandeirantes

O que acontece com a parte orgânica dos resíduos depois que ela é descartada? Além da destinação adequada, este material pode ser aproveitado para gerar novos recursos. É essa possibilidade que está por trás da biodigestão, tecnologia que será utilizada pela Loga no futuro Ecoparque Bandeirantes.

A biodigestão é um processo realizado em ambiente fechado e sem oxigênio, no qual microrganismos decompõem a matéria orgânica. Durante este processo, são produzidos o biogás e o biofertilizante. O biogás, por sua vez, pode passar por uma etapa de purificação e dar origem ao biometano, um combustível renovável que pode ser utilizado como fonte de energia.

Na prática, a tecnologia permite que uma parcela dos resíduos que hoje seria encaminhada à disposição final seja transformada em novos produtos. No caso da Loga, o processo será aplicado à fração orgânica presente nos resíduos urbanos coletados na região Noroeste de São Paulo.

Antes de chegar ao biodigestor, o resíduo comum passará por uma etapa de triagem. Nesse processo, materiais recicláveis que ainda possam ser aproveitados serão separados, enquanto a fração orgânica seguirá para a biodigestão. Dessa forma, diferentes tipos de materiais poderão ter seus próprios caminhos de valorização.

O biodigestor do Ecoparque Bandeirantes iniciará as operações com capacidade para processar 200 toneladas de matéria orgânica por dia, podendo alcançar 1.000 toneladas diárias ao longo do contrato. Na capacidade máxima, será 40 vezes maior que a unidade da Universidade de São Paulo (USP), que também utiliza a tecnologia para o aproveitamento de resíduos orgânicos.

A Usina de Biometano e Biofertilizantes do Instituto de Energia e Ambiente da USP, inaugurada em junho deste ano, é um exemplo de aplicação da biodigestão. A unidade tem capacidade para processar cerca de 25 toneladas de resíduos orgânicos por dia, transformando esse material em biogás, biometano, energia e biofertilizantes.

A diferença de escala ajuda a dimensionar o projeto da Loga. Enquanto a experiência da USP demonstra como a tecnologia pode ser aplicada ao aproveitamento de resíduos orgânicos, o biodigestor previsto para o Ecoparque levará esse processo a uma escala muito maior, voltada aos resíduos urbanos.

O biodigestor será uma das estruturas do futuro Ecoparque Bandeirantes, que também contará com Centro de Triagem e Seleção Inteligente, planta de Biossecagem, estrutura de Recuperação Energética e Fazenda Solar. O complexo está em fase de licenciamento ambiental e reunirá diferentes soluções para ampliar o aproveitamento dos resíduos e reduzir o volume destinado aos aterros sanitários.

Mais do que uma nova tecnologia, a biodigestão representa uma mudança na forma de enxergar os resíduos orgânicos: aquilo que antes era visto apenas como material a ser descartado passa a ser uma fonte de energia e de novos recursos. É mais uma frente para aproximar a gestão dos resíduos urbanos dos princípios da economia circular.